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Uma Família que Respira e Faz Arte: O Legado da Família Kawanishi-Passos

Coluna Rafael Marques*

A arte é uma linguagem universal, capaz de transcender limites e unir corações, e para a família Kawanishi-Passos, ela não é apenas uma atividade, mas uma verdadeira forma de vida. Composta por Rafaella Kawanishi, Zé Mario Passos, e seus filhos Kazumi e Mateus, essa família tem na arte uma força que permeia suas experiências e os conecta de maneiras profundas e transformadoras.

Rafaella Kawanishi, a matriarca da família, revela que nem sempre a arte foi uma presença constante em sua vida. Sua jornada artística começou de forma inesperada, durante um dos momentos mais difíceis de sua existência: a pandemia de COVID-19. Durante esse período de isolamento social, ela perdeu sua mãe, um evento devastador que a levou a enfrentar o luto de uma maneira única. Ao invés de sucumbir ao sofrimento, Rafaella encontrou na pintura um refúgio — um espaço de expressão onde a dor poderia se transformar em algo mais. Ela explica que, ao pintar, cada pincelada se tornava um diálogo silencioso com sua mãe, uma maneira de mantê-la presente em sua vida e em sua memória. “Cada pincelada era um diálogo silencioso com minha mãe, uma forma de mantê-la presente em minha vida”, afirma Rafaella, que encontrou na arte não só uma forma de ressignificar o luto, mas também uma maneira de estreitar os laços com sua própria família. “A arte nos une, nos transforma e nos ensina todos os dias. Ela não é apenas uma profissão ou um passatempo, mas um modo de vida que nos enriquece como indivíduos e como família”, diz ela, ressaltando o papel fundamental da arte no fortalecimento das conexões familiares.

Zé Mario Passos, o marido de Rafaella e pai do Kazumi e Mateus, tem uma relação com a arte que remonta à sua infância. Crescendo como filho único, Zé Mario passou muitas horas desenhando e se encantava com os desenhos animados e as revistas em quadrinhos. Foi nesse ambiente de solidão criativa que ele descobriu sua paixão pela arte. Ele recorda com carinho de quando pintava panos de prato com sua mãe, um hábito que plantou as sementes de seu amor pelo ato de criar. A partir da sugestão de uma professora, Zé Mario passou a utilizar telas como suporte para suas produções artísticas, um passo importante em sua trajetória. Mesmo tendo cursado Design Gráfico e trabalhado com isso por um tempo, Zé Mario confessou que os pincéis ficaram de lado por um período. No entanto, a arte nunca o abandonou. “Nunca abandonei o desenho”, diz ele com um sorriso nostálgico. Foi durante a pandemia, por influência de sua esposa, que Zé Mario retomou suas produções artísticas. No entanto, devido à sua intolerância aos solventes necessários para as tintas a óleo, ele desenvolveu uma técnica própria utilizando tinta acrílica. Esse retorno à arte trouxe não apenas um novo olhar sobre sua prática, mas também a oportunidade de relembrar o valor da arte como expressão genuína de sentimentos e pensamentos.

Em sua jornada artística, Zé Mario também teve a experiência de trabalhar com fotografia, juntamente com sua família, quando montaram um estúdio fotográfico. Esse envolvimento com o mundo da fotografia acentuou sua paixão por retratar pessoas, uma forma de registrar não só a aparência, mas também a essência dos indivíduos que fotografava. “Nossa casa sempre teve materiais de desenho e, depois da pandemia, muitos materiais de pintura também”, conta Zé Mario, destacando como a arte permeava a vida cotidiana de sua família.

Os filhos do casal, Kazumi e Mateus, também têm suas próprias trajetórias artísticas, influenciadas pelo ambiente criativo no qual cresceram. Mateus, o filho mais novo, foi profundamente tocado pela música, especialmente pelo piano, que ele escolheu como seu meio de expressão. Seu talento e dedicação o levaram a conquistar uma vaga na Escola Municipal de Música de São Paulo, uma das instituições mais respeitadas da América Latina, consolidando sua paixão pela música e seu compromisso com o desenvolvimento artístico. Por outro lado, Kazumi, o filho mais velho, se destacou no desenho e escolheu seguir a carreira de Design de Interiores. Ele ingressou na ETEC de Santo André, onde encontrou na estética e funcionalidade a sua forma de expressão. Para Kazumi, a arte não é apenas uma prática de criação, mas também uma maneira de observar o mundo e traduzir suas percepções por meio do design.

Rafaella, ao refletir sobre a trajetória artística de sua família, conclui que a arte é mais do que uma forma de expressão. “Em cada criação, encontramos um pouco de nós mesmos e fortalecemos os laços que nos conectam. A arte, para nós, é mais do que expressão: é amor, é memória e é legado”, afirma ela com um olhar de orgulho e gratidão. A família Kawanishi-Passos demonstra, através de suas trajetórias, que a arte não só ajuda a transformar a dor em beleza, mas também cria um elo poderoso entre as pessoas, uma forma de se conectar com os outros e consigo mesmo de maneira profunda.

A história dessa família é um exemplo claro de como a arte pode ser um catalisador para o autoconhecimento, o amor e a união. Para Rafaella, Zé Mario, Kazumi e Mateus, a arte é, sem dúvida, um legado de vida, uma expressão do que há de mais profundo e belo em cada um deles. E assim, juntos, eles continuam a criar, respirar e viver arte, sempre conectados pela força de suas criações e pela memória afetiva que ela proporciona.

*Rafael Marques é Escritor, pedagogo, filósofo e Psicanalista. Especialista em Educação Especial, História da cultura Afro, literatura e Terapeuta Ocupacional na saúde mental. Atua como Coordenador Pedagógico em uma Escola Municipal da Cidade de São Paulo. Tem 6 livros publicados e é integrante do CARP e do Clube de escritores de Ribeirão Pires.

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