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Obras de conjunto habitacional em Santo André estão paradas há um ano e sem previsão de retomada

Paralisadas desde março de 2025, as obras do Residencial Clara, em Santo André, seguem sem prazo para serem retomadas. O empreendimento, sob responsabilidade da Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano, já estava com cerca de 85% da construção concluída quando foi interrompido após a construtora responsável entrar em recuperação judicial.

O conjunto habitacional prevê a entrega de 480 unidades e deveria ter sido finalizado em fevereiro de 2024. Desde então, futuros moradores relatam frustração com o atraso, falta de informações e sinais de abandono no local.

Mutuários ouvidos pela reportagem afirmam que o canteiro de obras apresenta mato alto, acúmulo de lixo e estruturas expostas à ação do tempo. Há preocupação com possíveis danos causados pela chuva e pelo sol em itens já instalados, como portas, pisos e paredes.

Uma das beneficiárias, que preferiu não se identificar, relata dificuldades financeiras diante da demora na entrega. Segundo ela, o custo com aluguel tem pesado no orçamento, enquanto a expectativa de mudança segue indefinida. “Evito passar em frente ao local, dá a sensação de ter sido enganada”, desabafa.

Outro inscrito também critica as condições externas do empreendimento, destacando o crescimento do mato e a falta de manutenção. Ele afirma ainda que há receio em relação à proliferação de pragas e doenças, como a dengue, devido ao estado do terreno.

Especialistas apontam que os mutuários podem buscar a Justiça. De acordo com o advogado e professor da Fundação Santo André, Vander Ferreira de Andrade, a CDHU, na condição de responsável pelo empreendimento, deve cumprir o prazo de entrega e pode ser acionada judicialmente.

Segundo ele, os prejudicados podem pleitear indenizações por danos materiais — como gastos com aluguel — e também por danos morais. As ações podem ser individuais ou coletivas, inclusive com possibilidade de envolvimento do Ministério Público.

Em nota, a CDHU informou que trabalha para retomar as obras o mais rápido possível. A companhia afirmou que a paralisação ocorreu após a recuperação judicial da construtora e que a seguradora está finalizando os trâmites necessários para a contratação de uma nova empresa.

O órgão também declarou que mantém a vigilância e conservação do local, mas não detalhou prazos para a retomada das obras nem para a entrega das unidades.

Foto: reprodução da internet 

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