Justiça Eleitoral condena prefeito de Diadema por fala que ligou assessor de Lula ao crime organizado
A Justiça Eleitoral condenou o prefeito de Diadema, Taka Yamauchi (MDB), a seis meses e 25 dias de detenção, em regime inicial aberto, além do pagamento de dez dias-multa, por declarações feitas durante a campanha eleitoral de 2024. A decisão é da 258ª Zona Eleitoral de São Paulo e ainda cabe recurso.
A condenação decorre de uma fala feita por Taka em debate promovido pelo portal G1, em agosto do ano passado, quando o então candidato associou o apelido “Marcola” — conhecido nacionalmente por identificar um dos líderes do Primeiro Comando da Capital (PCC) — a Marco Aurélio Santana Ribeiro, chefe de Gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Na sentença, a juíza Clarissa Rodrigues Alves entendeu que o prefeito ultrapassou os limites da crítica política ao fazer uma associação que, segundo a magistrada, possui evidente potencial ofensivo, configurando difamação e injúria eleitoral. Para a Justiça, a declaração induziu o público a relacionar um agente público federal ao crime organizado.
Durante o debate, Taka afirmou que “o tal de Marcola, lá de Brasília”, teria enviado recursos de forma irregular para Diadema, insinuando que o dinheiro não teria chegado à população. A fala foi direcionada ao então candidato à reeleição José de Filippi Júnior (PT), que reagiu imediatamente, acusando o adversário de fazer uma imputação falsa e leviana.
Após o episódio, Marco Aurélio Santana Ribeiro ingressou com ações judiciais contra o prefeito. Em uma delas, no âmbito cível, o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) condenou Taka, em abril deste ano, ao pagamento de R$ 14 mil por danos morais. Também houve pedido para que a Advocacia-Geral da União (AGU) atuasse no caso, sob o argumento de que se tratava de ofensa à honra de um agente público federal.
Na decisão eleitoral, a juíza destacou que é de conhecimento público que o apelido “Marcola” está diretamente ligado ao líder do PCC, Marcos Willians Herbas Camacho, o que tornaria inevitável a associação feita pelo réu perante o eleitorado.
Em nota, a defesa de Taka Yamauchi informou que o prefeito irá recorrer da sentença. Segundo o comunicado, a decisão é de primeira instância e será contestada dentro do prazo legal. A assessoria também afirmou que o prefeito respeita as instituições e confia na revisão do caso pelas instâncias superiores, exercendo plenamente o direito ao contraditório e à ampla defesa.
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