OpiniãoVariedades

Exposição de Gil Silva propõe reflexão sobre a condição humana em Ribeirão Pires

Coluna Rafael Marques*

A Pinacoteca Municipal Guilherme de Carvalho Dias recebe, a partir do dia 30 de abril, a exposição “Do Símbolo ao Fungo: Sociedade em Decomposição”, do artista visual Gil Silva. A abertura acontece na quinta-feira, às 19h, convidando o público a uma imersão estética e reflexiva sobre os processos que atravessam o ser humano e a sociedade contemporânea.

A mostra apresenta um conjunto de obras que investigam a complexidade da experiência humana, articulando dimensões simbólicas, orgânicas e sociais. Partindo da ideia de que os símbolos constituem uma linguagem universal, capaz de conectar culturas, tempos e subjetividades, o artista constrói imagens que funcionam como portais de reflexão sobre identidade, memória e pertencimento.

Ao longo do percurso expositivo, no entanto, esse campo simbólico é tensionado e deslocado em direção ao universo dos fungos. Surge, então, uma inflexão crítica: aquilo que antes organizava sentidos passa a revelar processos de decomposição. Inspirado no Reino Fungi, o artista utiliza a deterioração como metáfora para discutir não apenas os ciclos naturais de vida e morte, mas também a degradação psíquica, moral e social que marca a contemporaneidade.

As obras apresentam corpos fragmentados, órgãos isolados e formas híbridas, compondo imagens que revelam um sujeito em constante desintegração e reconstrução. Ao mesmo tempo, essas representações apontam para um corpo social igualmente fraturado, atravessado por desigualdades, violências e processos de invisibilização.

Com uma estética vibrante e intuitiva, construída a partir de camadas de tinta e gestos expressivos, a exposição propõe uma cartografia da ruína, não como fim, mas como estado de transformação. Entre beleza e desconforto, o público é convidado a percorrer um caminho sensível que evidencia tanto a fragilidade quanto a potência dos processos de mudança.

“Do Símbolo ao Fungo: Sociedade em Decomposição” convida o visitante a refletir sobre o que estamos nos tornando enquanto indivíduos e sociedade, e sobre o que ainda pode emergir a partir das nossas próprias ruínas.

A entrada é gratuita.

Serviço:
Abertura: 30 de abril de 2026 (quinta-feira)
Horário: 19h
Local: Pinacoteca Municipal Guilherme de Carvalho Dias. Rua Diamantino de Oliveira, 218 – Centro – Ribeirão Pires.
Exposição: Do Símbolo ao Fungo: Sociedade em Decomposição
Artista: Gil Silva

*Rafael Marques é Escritor, pedagogo, filósofo e Psicanalista. Especialista em Educação Especial, História da cultura Afro, literatura e Terapeuta Ocupacional na saúde mental. Atua como Coordenador Pedagógico em uma Escola Municipal da Cidade de São Paulo. Tem 6 livros publicados e é integrante do CARP e do Clube de escritores de Ribeirão Pires.

Share this content: