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Conhecendo Fernando Rubinelli: o jovem gestor que levou a ONU para a Habitação de Mauá

Aos 36 anos, Fernando Rubinelli (REDE) é secretário de Habitação de Mauá e tem ganhado espaço no tabuleiro político do ABC Paulista. No governo Marcelo Oliveira, ele coordena a execução local de R$ 159,7 milhões do programa federal Periferia Viva e participou da articulação do acordo de cooperação com a ONU-Habitat para a urbanização do Chafik, no Jardim Zaíra. Para quem acompanha política municipal, o movimento tem peso: coloca a cidade em uma agenda de governança urbana e cooperação internacional que poucos municípios conseguem acessar.

A trajetória de Rubinelli começou nas urnas, em 2016, quando foi eleito vereador. Mais tarde, entre 2021 e 2024, comandou a Secretaria de Serviços Urbanos, uma das pastas mais sensíveis para qualquer governo por lidar com zeladoria, infraestrutura e resposta a crises. No Executivo, seus aliados o descrevem como secretário de presença no território. Acompanha obras, percorre áreas vulneráveis e monitora pontos críticos em períodos de chuva. É um tipo de gestão que costuma render capital político porque associa decisão com visibilidade e entrega.

O diferencial, porém, está fora do padrão tradicional da política local. Rubinelli mantém, em paralelo, uma trajetória na segurança pública. Ex-escrivão da Polícia Civil, está aprovado e aguarda posse no concurso homologado para investigador da Polícia Civil de São Paulo. Também segue estudando para concursos de delegado, em São Paulo e no Nordeste. Na prática, isso o coloca em uma posição rara: circula com naturalidade tanto no ambiente político quanto no corporativo, algo que tende a ampliar redes e influência.

Ele próprio faz questão de marcar uma linha. Rubinelli costuma dizer que política não é profissão, mas serviço público. Sua identidade profissional, afirma, está na advocacia e na investigação. Para um leitor interessado em política, a frase revela estratégia e posicionamento: ele tenta se diferenciar do “político profissional”, reforçando a imagem de técnico e servidor, ainda que opere dentro do jogo político.

A formação sustenta esse discurso. É mestre em Políticas Públicas pela UMC e pós-graduado em Direito Penal pela PUC-RS. Publicou dois livros, entre eles A Polícia Civil no Combate aos Cartéis de Licitação e Crimes Econômicos (Lumen Juris), e assina artigos técnicos e acadêmicos. Entre 2020 e 2021, integrou o GEPECUMA, grupo de pesquisa certificado pelo CNPq e desenvolvido por UNESP e UFSCar em cooperação com a UNESCO. Ele afirma que a experiência aprimorou sua fluência em linguagem institucional e lógica de cooperação, repertório útil para interlocução com organismos como a ONU-Habitat. Também publicou artigo no Estadão.

No plano pessoal, Rubinelli é corinthiano e católico, devoto de Nossa Senhora Aparecida e de São Jorge. Diz encontrar no Nordeste parte do seu equilíbrio espiritual e cultural. Na política, cita como referência o ex-prefeito de Santo André Celso Daniel, símbolo de um modelo de gestão que combinou formulação, planejamento e execução. “O legado do Celso Daniel me inspira porque ele mostrou que uma cidade pode ser administrada com rigor técnico e, ao mesmo tempo, com sensibilidade social. Ele conseguia traduzir teoria em obra concreta, e isso é o que eu acredito ser o verdadeiro papel do gestor público”, afirma.

Filho do ex-deputado federal e atual vereador de Mauá, Wagner Rubinelli, e da professora, ex-vereadora e atual secretária municipal de Administração, Cássia Rubinelli, ele cresceu próximo da política, mas sustenta que construiu trajetória própria. É irmão da advogada Natália Rubinelli e namora a médica Yngrid Nayara.

Na Habitação, atua em frentes que hoje definem reputações políticas no país: regularização fundiária e urbanização de áreas vulneráveis. E é aí que sua mensagem se fecha para o leitor que acompanha a política local. Aos 36 anos, Rubinelli tenta ocupar um espaço específico: o do gestor que quer ser lembrado por resultado, não por cargo. Trazer a ONU para o debate urbano de Mauá é um sinal de maturidade institucional. Agora, a cobrança natural da política é outra: transformar articulação em obra, e obra em legado.

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