Forró no Parque: cultura, solidariedade e alegria no coração de Ribeirão Pires
Coluna Rafael Marques*
No próximo domingo, 09 de novembro, Ribeirão Pires será palco de uma celebração cultural que une música, literatura, economia solidária e ação social: o Forró no Parque. O evento, que acontecerá das 10h às 17h no Parque Prof. Luiz Carlos Grecco – localizado na Rua Diamantino de Oliveira, 218, no Centro – promete movimentar a cidade com uma programação voltada para toda a família, resgatando tradições e fortalecendo o sentimento de pertencimento comunitário.
Com entrada mediante doação voluntária de 1kg de alimento não perecível ou ração para pets, o evento reforça o compromisso social de que cultura e solidariedade podem e devem caminhar juntas. Em tempos em que a coletividade precisa recuperar sua força, iniciativas como esta ganham ainda mais importância, pois mobilizam a população não apenas para o lazer, mas também para ações de impacto social.
Entre as atrações musicais, o grande destaque é o Trio Malaquias, grupo que mantém viva a tradição do autêntico forró pé de serra, com sanfona, zabumba e triângulo, evocando a memória de um Brasil culturalmente diverso. O trio traz em sua identidade musical a força das raízes nordestinas, a simplicidade poética do cancioneiro popular e a alegria genuína das festas de terreiro, convidando o público a dançar, cantar e criar novas lembranças afetivas.
Além do trio, o evento conta com a presença do DJ Luca Dubem, responsável por um set especial que mistura ritmos brasileiros com pegadas sonoras contemporâneas, ampliando as possibilidades musicais do encontro. Essa combinação entre tradição e modernidade aproxima gerações e mostra que a cultura popular se reinventa sem perder a essência.
O Forró no Parque não será apenas um encontro festivo, mas também um espaço de valorização da produção cultural local. Haverá exposição de artistas e escritores da cidade, abrindo oportunidade para que o público conheça obras produzidas por talentos de Ribeirão Pires. Esse é um ponto fundamental do evento: dar visibilidade à cultura feita por quem vive a cidade, fortalecendo identidades, biografias e trajetórias que muitas vezes não chegam aos grandes espaços de divulgação.
Outro destaque é a Feira de Economia Solidária, que reunirá empreendedores locais comprometidos com práticas de sustentabilidade, artesanato, alimentação saudável e consumo consciente. Esse tipo de feira estimula redes de colaboração, estimula o público a repensar hábitos de compra e fortalece quem movimenta a economia de forma afetiva e comunitária.
Haverá também atividades de recreação, mostrando que o evento foi pensado para todas as idades, fazendo do parque um espaço vivo de encontro entre crianças, jovens, adultos e idosos. Em um cenário onde o tempo livre é muitas vezes consumido por telas, a experiência presencial e coletiva se torna ainda mais valiosa.
Realizado com o apoio de diversas instituições e coletivos locais, como o Colégio São José, a ACIARP, o Grupo Nikolaus, a Poética Ribeirania, o projeto Pé de Serra, o restaurante Canoa Quebrada e a Secretaria de Turismo da Estância, o Forró no Parque reafirma que políticas culturais vão além do entretenimento: elas promovem saúde emocional, memória, identidade, pertencimento e convivência.
Em um mundo cada vez mais acelerado e fragmentado, o ato de reunir pessoas num parque público, ao som de música tradicional, em meio a arte, feiras e literatura, é por si só um gesto político de resistência — resistência à solidão, ao individualismo, ao apagamento cultural, ao enfraquecimento dos vínculos comunitários.
A entrada solidária, que propõe a doação de alimentos não perecíveis ou ração para animais, reforça o papel social da cultura. Quem participa de um evento assim não contribui apenas com sua presença, mas também com a possibilidade de transformar realidades. Cada quilo de alimento arrecadado significa um gesto de parceria com famílias em situação de vulnerabilidade. Cada pacote de ração, um cuidado com vidas que também merecem atenção: os animais que muitas vezes são abandonados, negligenciados ou vivem em abrigos lotados.
O Forró no Parque é mais que um evento: é um convite. Um chamado para ocupar os espaços públicos com afeto, dança, sorrisos e consciência coletiva. É um lembrete de que a cidade pulsa quando seus moradores ocupam seus parques, seus coletivos e seus encontros culturais. Em um único dia, Ribeirão Pires reafirma sua vocação para a arte, para a liberdade de expressão e para o encontro entre pessoas diferentes que, juntas, constroem um mesmo território.
No dia 09 de novembro, o Parque Luiz Carlos Grecco será um território vivo de dança, música, troca e solidariedade. Leve sua alegria, seu par, sua família, seu chapéu ou sua sandália — mas leve, sobretudo, seu desejo de celebrar a vida.
Porque o forró, antes de ser ritmo, é encontro.
E o encontro, antes de ser festa, é resistência.
*Rafael Marques é Escritor, pedagogo, filósofo e Psicanalista. Especialista em Educação Especial, História da cultura Afro, literatura e Terapeuta Ocupacional na saúde mental. Atua como Coordenador Pedagógico em uma Escola Municipal da Cidade de São Paulo. Tem 6 livros publicados e é integrante do CARP e do Clube de escritores de Ribeirão Pires.
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