Política

Grande ABC encolhe bancada federal e mantém oito deputados estaduais após eleição

Região, que elegeu quatro deputados federais em 2022, terá apenas Paulo Serra na Câmara; na Alesp, oito nomes renovaram os mandatos e Oseias de Madureira ficou de fora

O primeiro turno das eleições de 2026 produziu uma mudança significativa na representação política do Grande ABC em Brasília. Dos 55 candidatos da região que disputaram uma vaga na Câmara dos Deputados, apenas Paulo Serra (PSDB) foi eleito. O resultado contrasta com 2022, quando quatro deputados federais foram eleitos com votação regional. Na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), o cenário foi mais estável: oito deputados do ABC garantiram a reeleição para o mandato 2027-2030.

Paulo Serra passa a ser o único representante do Grande ABC na Câmara Federal. A redução é expressiva em relação à eleição anterior. Em 2022, a região elegeu Luiz Marinho (PT), Marcelo Lima, Fernando Marangoni e Alex Manente. Vicentinho (PT) também ficou na suplência naquele pleito.

O resultado de 2026 também marcou a derrota de nomes conhecidos da política regional. Entre os candidatos que ficaram fora estão Orlando Morando e Alex Manente, ambos com cerca de 102 mil votos, além de Moisés Selerges, que recebeu 89.939 votos, Vicentinho, com 68.549, e Fernando Marangoni, com 67.111.

A disputa federal reuniu candidatos de diferentes campos políticos e mostrou uma forte pulverização dos votos entre os municípios. Paulo Serra foi o mais votado em Santo André, enquanto Lucas Pavanato liderou em São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra. Em São Bernardo, Orlando Morando apareceu na primeira colocação.

Oito nomes permanecem na Alesp

Se a representação em Brasília sofreu uma forte redução, o cenário na Assembleia Legislativa foi praticamente de continuidade. O Grande ABC terá oito deputados estaduais no próximo mandato, todos reeleitos. A única baixa foi Oseias de Madureira (PL), que não conseguiu renovar a cadeira.

Entre os nomes que permanecem na Assembleia estão Ediane Maria (PSOL), Ana Carolina Serra (PSD), Luiz Fernando Teixeira (PT), Carla Morando (PSD), Teonilio Barba (PT), Rômulo Fernandes (PT), Thiago Auricchio (PL) e Atila Jacomussi (PRD). O grupo reúne representantes de diferentes partidos e municípios e mantém uma bancada regional numericamente semelhante à atual.

A votação também evidencia a força eleitoral de alguns parlamentares em suas respectivas bases. Em Santo André, Ediane Maria foi a candidata a deputada estadual mais votada, com 170.844 votos, seguida por Ana Carolina Serra, com 132.881. Em São Bernardo, Luiz Fernando Teixeira recebeu 94.901 votos, enquanto Carla Morando chegou a 94.596.

Uma nova configuração para o ABC

O contraste entre Câmara Federal e Alesp coloca o Grande ABC diante de uma nova configuração política. Enquanto a região preservou sua representação estadual, a presença em Brasília será reduzida a apenas um deputado eleito.

A mudança ocorre em um território que historicamente construiu uma forte representação política a partir de sua importância econômica, industrial e populacional. Em 2022, a eleição de quatro deputados federais dava ao ABC uma bancada mais ampla para atuar em pautas de interesse regional. Agora, a região terá de reorganizar sua articulação política no Congresso Nacional a partir de uma bancada significativamente menor.

O resultado do primeiro turno, portanto, não representa apenas a renovação ou derrota de candidaturas individuais. Ele redesenha o mapa de representação do Grande ABC em Brasília e, ao mesmo tempo, preserva uma bancada estadual de oito parlamentares para o próximo ciclo legislativo.

Foto: Reprodução/TRE-RN

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